SECRETARIA UNIFICADA: A FALTA DE SERVIDORES NÃO PODE SER COMPENSADA COM SOBRECARGA DE TRABALHO

Postado: 04/11/2026

O SINTUR-RJ reafirma seu posicionamento contrário à proposta de secretaria unificada na UFRRJ. A defesa de uma universidade pública de qualidade exige enfrentar o déficit de técnico-administrativos em educação, recompor o quadro de pessoal e garantir condições dignas de trabalho. Transferir para os servidores a responsabilidade de atender cada vez mais cursos não resolve a insuficiência de trabalhadores.
 
O déficit de TAEs precisa ser tratado como uma questão política e institucional. A universidade necessita de concursos públicos, provimento de vagas, valorização da carreira e condições para a permanência dos servidores. A Administração deve assumir essa cobrança junto ao Governo Federal e ao MEC, com transparência sobre as necessidades de pessoal de cada setor. Não podemos aceitar que a falta de trabalhadores se transforme em justificativa permanente para ampliar as atribuições de quem já sustenta o funcionamento da instituição.
 
A proposta de secretaria unificada precisa ser analisada a partir de seus efeitos concretos. Quando todos os TAEs passam a responder por todos os cursos, uma mesma equipe pode receber demandas simultâneas de diferentes coordenadores, com prazos, prioridades e exigências distintos. Sem pessoal suficiente e limites claros, esse modelo pode intensificar o trabalho, gerar conflitos e ampliar a exposição a cobranças abusivas, assédio e adoecimento.
 
Também está em jogo a qualidade do atendimento. Cada curso possui particularidades, procedimentos e necessidades que exigem acompanhamento. O vínculo dos TAEs com estudantes, docentes e coordenações é parte do trabalho realizado e precisa ser valorizado. Tratar os servidores como trabalhadores disponíveis para qualquer demanda, de qualquer curso, desconsidera o conhecimento e a experiência construídos no cotidiano.
 
Defendemos a secretaria compartilhada, com uso comum do espaço físico e manutenção das responsabilidades de cada TAE pelo seu curso. Esse modelo permite construir cooperação, apoio entre colegas e organização de escalas, preservando as referências de atendimento. Também oferece possibilidades de organização da flexibilização da jornada e do PGD, que devem ser debatidas com os trabalhadores.
 
A categoria já manifestou sua oposição à proposta e exigiu participação no debate. Reorganizações que afetam diretamente nossas atribuições, nossa saúde e nossa jornada precisam ser construídas com os servidores e sua representação sindical. O conhecimento de quem realiza o trabalho deve orientar as decisões da universidade.
 
O SINTUR-RJ convoca os TAEs a fortalecerem a organização nos locais de trabalho e a participação nas assembleias. A luta pela recomposição do quadro de pessoal, pela jornada de trabalho e contra a precarização faz parte da defesa da universidade pública. Estudantes e trabalhadores têm interesse comum em serviços com qualidade, continuidade e condições adequadas de funcionamento.
 
Não à secretaria unificada! Pela recomposição do quadro de TAEs, por condições dignas de trabalho e por uma universidade construída com participação dos trabalhadores!
 
 
 
Direção Colegiada do SINTUR-RJ Biênio 2025-2027 Gestão Unidade que Avança

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